Apenas sei que a vida pesa, mas o sorrir é belo
março 17th, 2011 § 8 Comentários
A solidão das palavras impressas no papel me acalenta. É nessa calmaria que encontro a maior tempestade de todas: o pensar. Nítido, porém gelatinoso, ele passeia pelas veredas do destino humano atormentando até o mais barbudo dos homens. O mar revolto transformou homens vis e mesquinhos em grandes heróis. Então, a tormenta caótica do pensar deve ser buscada. É esse o conselho que deixo para todos nessa breve madrugada fictícia. Pensem, meus amigos…a imaginação é o veículo mais apropriado para a completude de “espírito”.
Fluxo III
março 4th, 2011 § 3 Comentários
Estou perdido, e sei para onde vou. Eu tenho um mapa com um “x” indicando o local certo. Tenho todas as coordenadas e indicações. Mas porra! eu estou perdido e sei para onde vou. Me perco dentro de mim mesmo, afogado em angustia saltitante. O mundo é imenso, mas minha alma é maior ainda. Então me perco todos os dias. E jamais pensaria que me encontraria em um olhar. No meu olhar através do espelho.
Me encontro, mas perdido. Então não posso admirar-me. Como admirar um Rei se ele é manco? Como admirar um homem se ele fede? Como admirar uma mulher se ela é gorda? Como admirar um mundo imperfeito, se ele é perfeito? Sim, perfeito, criado por um ser supremo e perfeito, que se masturba enquanto nos admira cá, chorando de tristeza e discursando ao vento. E então faz chover. Molha a face de homens sujos e poetas feios. Eles se beijam e eu os encaro. Então resolvo a charada: sou tão pequeno e o céu tão alto.
E o pensar dito vai, acima das cabeças, para o espaço. Poesia espacial, alienígena, fora de órbita.
Eu- (sem) lírico
fevereiro 25th, 2011 § 4 Comentários
Eu sou crise, caos, flora, fúria.
Sou morto, vivo, torto, porto
(In)seguro, escuro, sujo.
Eu sou identidade, etnia, tirania,
Experiência: vivências de manias.
Eu sou modernidade, pós modernidade,
Místico, ciência em busca da essência,
Ilhota de (desordem) em mar revolto.
Eu sou os olhos de gozo do amante em coito,
Sangue vivo que escorre em carne pecadora.
Eu sou verso que corre o universo e morre
Se pensado só, solitário, sem conexão, música sem canção.
Eu sou tudo isso concentrado em poesia, sou confuso.
Pois eu sou de Luiz Gonzaga a Mayara Petruso.
Sou sêmen e sangue, dor e prazer. Sou o (ser) humanidade!
O maior conflito do mundo
fevereiro 17th, 2011 § 5 Comentários
O homem caminhava em sua casa. Acendeu um cigarro pensativo e prosseguiu. É, a realidade da vida é que o bagulho é doido, reproduziu.
Tropeçou uma vez, duas vezes, três vezes. E não esperou a quarta, era o cretino do gato, alisando-se aos seus pés, pedindo sabe-se lá o quê.
- Mas porra, meu irmão, vai perturbar o cão. Vai fazer uma obra de arte, vai escrever um poema! Vai ter cultura, vai criar o tabu do incesto, gato chato. Para de ser tão folgado, de nunca pensar em nada, de não ter angustias e sonhos.
- Miau…
- Vai para a lua, porra, faz um foguete. Vai se preencher…vazio. Fizemos tudo isso para preencher esse vazio que é pleno dentro aqui do peito. Ah, não, já vai dormir de novo? Ah, vai ter tesão pela tua mãe e achar isso um crime…
O gato cansou de se alisar e se deitou ao chão, esticado, de barriga para cima. Talvez ele fosse completo, sem ausência nenhuma.
Não quero tuas letras, quero teu falo.
fevereiro 10th, 2011 § 3 Comentários
AVISO: Esse poema é uma resposta ao poema (e post) do Ciarlini. O eu lírico dele confessa que quer transar com a pessoa que está saindo. Enfim, estou simulando a pessoa alvo do eu lírico dele, uma brincadeirinha, é claro! Aqui vai o link do poema dele http://ciarlini.wordpress.com/2011/02/10/como-posso-explicar/
Não precisa explicar.
Sua declaração nada tem de novo,
Desde que o céu é ceu,
É assim que me movo.
Meu sexo é meu único poder,
Minha extrema sina.
Todas as conversas terminam nele:
Toda a vida (começa) termina nele.
Quer me comer? Vai! Vem, pode entrar.
Mas sou eu que engulo, meu querido,
Eu engulo, abraço, até você gozar.
Me excita te ver assim, se satisfazendo
Não dando a mínima para o meu prazer.
Sou mulher, aceito as estruturas.
Vem logo, enfia tudo, não perca seu tempo:
- Não preciso dos teus versos, preciso do teu falo.
É assim que te digo, meu mais novo amigo:
Come logo, que eu tenho que botar a fila para andar.
Nove meses é o tempo suficiente para eu me satisfazer,
Mas me fode logo! Não preciso do teu intelecto,
Minhas amigas são mulheres, mais inteligentes que você.
Vinho solitário
fevereiro 4th, 2011 § 4 Comentários
Levei duas taças,
Amanheceu, e a garrafa ainda estava fechada.
Raios. Nunca vamos interagir?
Amanhã, vai rolar alguma coisa?
Viramos mais uma noite.
A distância continua a mesma.
Inferno. Não vejo nenhum esforço seu!
“- Por que você não vive” você diz.
Rocambole de carne não paga a entrada para o céu.
Ouro, sim, talvez. Ou você só quer status?
Inferno. Vai pro inferno.
Não entendo essa sua ganância.
Fode com todo mundo, essa vontade de foder sem amar.
Eu mesmo, não te amo. Afinal, o que é amar?
Roer sempre o pedaço do mesmo osso?
Na verdade, se for isso, estou fora.
My body is a cage…
Que me impede de te ter.
Cadeias batidas
janeiro 16th, 2011 § 5 Comentários
Esse poema faz parte de minha nova fase, curtam. E uma boa semana para vocês!
Cadeias batidas:
Por acaso, ao acaso,
Esbarramos.
Efêmero momento,
Nos abraçamos.
Seu cheiro desmanchou-se
ao ar…
A textura do seu tecido,
Ao roçar em mim: entranhei-a,
Ao perceber você, tê-la sentido:
Fui vestido da essência (sua).
Nunca mais sou o mesmo…
A lagoa
janeiro 5th, 2011 § 4 Comentários
Não há felicidade em solidão plena. Algumas pessoas demoram anos para descobrir, porém, mais cedo ou mais tarde a charada é resolvida.
Por mais que tentemos inflar nossos egos ,não há saída, Precisamos de alguém ,precisamos nos inserir na grande rede chamada vida. Se pessoas demoram tanto para perceber algo tão óbvio, imagine lagoas, mares…
Por exemplo, essa lagoa linda ,com várias pessoas ao redor,casas, enfim vida natural , social e espiritual, nem sempre foi assim. Por anos, nada existiu aqui, nada atravessava o medo,orgulho e rancor da lagoa. Ela achava que poderia viver sozinha,odiava contato.
Outrora, existia peixes .Mas aí vieram os pescadores e ela expulsou todos. Era peixe morto
para todos os lados. Uma Lagoa que não serve para pescar, serve ao menos para
tomar banho. Muitos tomavam banho,alguns morriam. Luzes estranhas,barulhos macabros,choro…
Logo se espalhou que a lagoa era mal assombrada. E aos poucos ninguém a visitava
mais.
Nem o vento.
A solidão,às vezes,inspira. Mas o vazio é temeroso. Ela resistiu no início,mas depois de anos,cedeu. Não suportava sua água parada. Certo dia,o vento acompanhava um casal, de forma. fascinada e desatenta. Fascinado com a maneira que o casal se olhava, e desatento por onde ia. Quando percebeu já era tarde demais. Já agitava as águas da lagoa, e então aconteceu algo maravilhoso. O sol suave,as faces dos dois, refletidas no espelho dágua enquanto toda a lagoa ululava. Por encanto, a rede ali se estabeleceu. A lagoa aproveitou para se redimir, fez as pazes com o vento, e com o densenrolar dos anos as pessoas voltaram a frenquentá-la. A vida ali
voltou, e hoje é essa beleza que vemos todo os dias.
Tá tudo errado – Desencantado
novembro 27th, 2010 § 8 Comentários
E finalmente, continuando a série Tá tudo errado! É isso mesmo. Boa leitura, público.
Desencantado
Não é possível ter um pensamento autônomo vivendo em sociedade. Somos produtos de contextos histórico-sociais. A arte nunca foi sublime. Bela? Sim. Mas a beleza não implica misticismo. Arte é uma forma de pensar e fazer real e concreta. A subjetividade é palpável.
Não é necessário dizer que esse pensamento não é meu, a única liberdade que tenho é de concordar ou não, e no mais, acrescentar alguma marca pessoal (construção social da personalidade?). Alguém pode dizer que podemos inovar, ser vanguarda. Sim, podemos. Mas esse pensamento não é só meu, e sim de um conjunto, por mais ínfimo que seja ao comparar-se à multidão conservadora.
Os defensores da liberdade, inovação e direito autoral dizem que, apesar de ser raro, é possível o sujeito ser totalmente inovador. Revolucionar a sua época. É verdade. Mas essa ideia foi arquitetada através de condições, essas originadas em ações sociais passadas, dentro de uma época, lugar e entrelaçada à relações multifacetadas da sociedade.
É uma ideia claustrofóbica. Estamos fadados a arquétipos e sobreposição de pensares? Parece que sim. O pior é ter esse pensamento em um shopping center, local onde teoricamente deveríamos relaxar e ter lazer. Entretanto, o pensamento sociológico já faz parte de mim, e quanto mais estudo fico desencantado com o mundo. Ainda bem que estudo pouco…
Dois algodões
setembro 24th, 2010 § 6 Comentários
Inspirado pelo Carlinhos, com essa mania de fazer séries, vou fazer uma série intitulada de: Tá tudo errado. Serão crônicas (contos?) com esse tema, de reclamação, indignação, e geralmente, conformada. Talvez o intuito seja apenas relatar, com o intuito menos revolucionário do que reflexivo. Sei que é muito complicado começar uma série depois de tanto tempo sem postar, mas obrigado po quem ainda continua visitando o meu blog, é muito especial para mim.
O morto tinha um aspecto calmo. O olhar inexistente, e dois algodões que lembram o céu ( espiritual?) fincados no nariz, que dão uma aparência inegável: era mesmo um morto. Na verdade, não precisaria dessa descrição toda se eu simplesmente tivesse dito que estava em um velório. Obviamente não é de um conhecido meu, pois jamais conseguiria escrever nesse estado de perca, apesar da escrita ser a busca pelo que falta.
Esse morto, em vida, porém já moribundo, sonhava com a morte. A mulher chorando copiosamente, os filhos desamparados sem saber se era verdade. A outra, vindo bem depois para chamá-lo de canalha. Será que chovia?
Não vejo ninguém chorar. A mulher fala copiosamente no celular, procurando se informar se poderia pagar parcelado, como seria o processo de translado. Logo eu entendia que o morto não era daqui de Fortaleza e sim de Juazeiro. Seria comido pela terra natal. Burocracia. É, meu amigo morto, a morte é burocrata. A esposa não tem tempo para se lamentar, primeiro é necessário saber como se livrar do seu corpo. A outra nem veio, ou talvez ela nem existisse. Afinal, conjecturei que os filhos estariam no velório, e não estavam. Talvez não tivesse nenhum, o mais provável é que estivessem em Juazeiro. Muitas dúvidas, não procurarei respostas.
Lágrimas caminhando morosamente, como uma pendência judicial, em meu rosto. Olho esquerdo, apenas. Chorando. Eu chorara, mas a sua esposa não. Complicado, sim. Tive pena do morto. Mas ele teria um consolo, no enterro, dias depois, a esposa teve tempo para sofrer a morte do morto. Se despediu sem medo, fez até barulho. E os filhos, se existirem, estariam desamparados. Também, a parcela era graúda…durou por seis meses. A morte é doída para quem fica…
